ProAR responde: cuidados com a asma durante a gravidez

07/08/2020 / por Fundação ProAr

A Dra. Angela Honda, líder de Programas Educacionais da Fundação ProAR, responde às principais dúvidas enviadas por nossos seguidores.

A gravidez é um momento esperado por muitas mulheres e não deve ser diferente para as que são asmáticas. Porém, a disciplina com a continuidade do tratamento é fundamental para uma gestação tranquila.Por isso, perguntamos em nosso perfil no Instagram, quais são as principais dúvidas e preocupações referentes ao tema. 


Quem responde as perguntas de nossas seguidoras é a Dra. Angela Honda, médica pneumologista e líder de Programas Educacionais da Fundação ProAR. Confira!



O bebê pode nascer asmático?

Dra. Angela Honda: Sim, pois na asma existe predisposição genética. O risco de desenvolver asma na infância é de 25% se pai ou mãe tiverem asma. Se ambos forem asmáticos o risco sobe para 50%. Se nenhum deles tiver asma, o risco cai a 10%, mas isso não é uma regra.


Quais os principais riscos durante a gestação? 

Dra. Angela Honda: A gestante asmática não controlada apresenta risco aumentado de desenvolver pré-eclâmpsia, parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino e parto cesariano. Já para o bebê de gestantes asmáticas não controladas, os riscos são baixo peso ao nascer, recém–nascidos pequenos para idade gestacional e, tem sido verificado que exacerbações da asma durante a gestação, estão associados a uma elevação no risco de malformações congênitas


Há riscos em caso de parto normal? 

Dra. Angela Honda: Não há dados de restrição ao parto normal se a gestante asmática estiver bem controlada e for acompanhada corretamente no seu pré-natal e no tratamento da sua asma


Pode usar bombinha durante a gestação?

Dra. Angela Honda: O tratamento da asmática que engravida deve seguir conforme orientação médica. Atualmente, existem medicamentos com a categoria de risco liberada para uso durante a gestação. Dados na literatura médica demonstram que a asmática gestante que mantém seu tratamento com acompanhamento correto, tem menos complicações durante a gestação. Toda oxigenação do bebê ocorre pelo cordão umbilical e pela respiração da mãe, por isso a asma bem controlada não causará diminuição do oxigênio para ambos.


É possível a gestante desenvolver asma durante a gravidez (mesmo se a mulher nunca teve histórico de asma)? 

Dra. Angela Honda: É possível que a mulher tenha sua primeira crise durante a gestação, mas o mais provável é que a gestante já seja predisposta ou asmática que estava sem diagnóstico. A fisiopatologia da asma se apresenta normalmente com sintomas mais frequentes durante a infância e na adolescência, tende a entrar num período de estabilidade e o paciente pode ficar vários anos sem apresentar nenhuma crise. Essas crises podem retornar na vida adulta e os pacientes ficam surpresos, pois acreditavam que na infância tinham bronquite, mas já era o quadro da asma. A asma de início tardio equivale a 5-6% dos asmáticos. 


Mulheres com asma podem ter dificuldade de engravidar?

Dra. Angela Honda: A asma é uma doença heterogênea e pode se apresentar de várias formas e gravidades. Estudos não mostram correlação direta da doença com infertilidade ou dificuldade para engravidar, mas que pacientes que não estão adequadamente tratadas podem sim ter dificuldade. Existem hipóteses sobre essa dificuldade para engravidar devido a inflamação sistêmica que a asma causa no organismo, mas a maioria dos estudos mostram que a asmática bem controlada e que faz uso de corticóide inalatório adequadamente, tem a mesma chance de engravidar que mulheres sem a doença.


Alterações emocionais e as hormonais durante a gravidez podem influenciar o quadro da gestante asmática?

Dra. Angela Honda: Existem 3 tipos de gestante asmática, aquela que mantém o mesmo quadro de gravidade, aquela que não muda nada e aquela que melhora da sua doença.

A própria gestação causa alterações fisiológicas que estabelecem um equilíbrio entre o aumento da necessidade por oxigênio, com 20% de elevação no consumo do oxigênio, e a redução na capacidade residual funcional em cerca de 18%. Esta redução é decorrente da elevação da cúpula diafragmática em aproximadamente 4 centímetros e das modificações fisiológicas da dinâmica respiratória na gravidez. Em situações normais, este equilíbrio é bem estabelecido e supre adequadamente as demandas aumentadas do período gestacional, porém em situações adversas, como uma crise de asma,  a resposta das gestantes também é alterada, por isso é importante que a gestante asmática esteja bem controlada.


Os remédios do tratamento da gestante asmática impede ela de amamentar? 

Dra. Angela Honda: Em geral não, mas isso depende do nível de gravidade da asma e do medicamento e da dose que terá que usar para o controle. As medicações para o tratamento da asma, em geral, tem suas advertências para a amamentação, pois não existem estudos específicos sobre isso. A maioria das medicações podem ser excretadas pelo leite materno, mas existe sempre o risco benefício, por isso sempre consulte seu médico.


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